Acertos com sabor de saudade

Bom, vocês se lembram quando eu disse que queria ensinar a meus filhos o gosto por viagens e culturas diferentes?

Pois é. Com o primeiro eu consegui.

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Guilherme, aos 5 meses

O Guilherme, assim que fez 18 anos, decidiu ir para Londres e viajou no dia 13 de junho.

Entrei em contato com um amigo, o John, que conseguiu um trabalho para ele.

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Thanks John. You’re so special!

Já a Meire se ocupou de lhe dar as boas vindas e assessoria em seus primeiros dias. Foi ela quem o ensinou a andar de metrô, quem foi com ele conhecer a nova casa, quem lhe apresentou aos supermercados mais baratos, quem lhe ajudou a comprar o chip de celular e abrir a sua primeira conta em banco, entre tantas outras coisas.

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Meire, sem você por perto, meu coração teria ficado ainda mais apertado. Obrigado por adotar meu filhote.

Acho que o lado ruim – para ele – é ter que fazer tudo sozinho. Lavar, cozinhar, passar, se preocupar com o dinheiro do aluguel, que é cobrado em semanas, a gestir o dinheiro para que de até o final da próxima semana.

Por outro lado é uma bagagem enorme e uma grande experiência de vida. Lá ele deixou de ser “o filho da Cris” e passou a ser o Guilherme. E acho que isto é ótimo para ele, pois agora ele tem uma identidade própria completamente desvinculada de mim.

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E olha ele ali no seu primeiro dia em Londres.

Ele trabalha em um Centro de Convenções e em apenas 3 meses já é capaz de executar várias tarefas. Confesso que aqui em casa ele não era muito adepto a executar nem mesmo uma. Lá ele trabalha de 10 a 12 horas por dia e gosta muito do que faz. Pela primeira vez o vejo fazer planos concretos para o futuro.

(O melhor de tudo? É  que Londres é bem ali e, se comprar a passagem com antecedência chega a custar 30€ ida e volta, então logo logo eu vou lá e conto para vocês a impressão que tive.)

Sei que tenho muito orgulho do homem no qual ele se transformou. Devo admitir que é muito mais interessante que o adolescente mal criado que tinha em casa. Acho que adolescente é ser de outro planeta, mas disto a gente fala um outro dia.

Mas a verdade é que mãe é tudo igual. E embora eu o tenha sempre criado para o mundo, meu coração sofre igualzinho ao das mães que criam filhos para si.

Eu sempre o ensinei a ser independente, a ser forte, a ser curioso. Ensinei o gosto por viagens e culturas – e ele agora fala 3 línguas, que orgulho! Mas desde o momento em que ele partiu para fazer exatamente o que eu desejei, meu coração sofre com a sua ausência.

Haja paciência para entender as mães!

Baci nel cuore
Cris Faga


Cristiane Fagá. Mãe de três. Apaixonada pelo Cleber. Brasileira, morando em Mantova, Itália. Trocando bilhetes, cartas, e-mails, mensagens e whatsapp com a Glê desde a década de 90. Minha vida, no Eu, por mim mesma. E em outros blogs.

Não é fácil ser feliz

https://www.facebook.com/cleberprafotos

Foto by Cleber Pra

 

Bom, eu acho que ser feliz é uma das tarefas mais difíceis do dia a dia. Ainda mais porque vivemos em uma época em que a mídia e a sociedade nos impõem um modelo de felicidade que tem muito pouco a ver com a vida da maioria dos seres humanos.

É uma busca incessante pelo corpo ideal, cabelo ideal, marido/esposa ideal, casa ideal, trabalho ideal, celular ideal (que vai ficar ultrapassado em menos de um mês).

Embora por aqui o consumismo não seja tão acirrado quanto no Brasil, onde se gastam fortunas com roupas de grifes, festas absurdamente espetaculares para crianças que nem sabem onde estão, nós, os “expatriados” sofremos com a saudade dos entes queridos, com a adaptação à uma nova língua, à uma nova cultura e com o fato de que muitas vezes não somos bem-vindos.

Temos que encarar o fato de que o clima é diferente, de que as pessoas são diferentes, de que os relacionamentos são diferentes. E muitos estrangeiros que retornam aos seus países de origem, sofrem igualmente por não se re-adaptarem a uma cultura até bem pouco tempo conhecida. Como eu disse, não é uma tarefa muito fácil ser feliz hoje em dia.

O europeu, em geral, é bem frio. Sabe aquela imagem que nós brasileiros temos do povo italiano nos filmes? De gente fazendo festa, dançando a Tarantela, rindo e gargalhando? Aquele povo que tem sempre um prato de macarrão para todo e qualquer visitante? Não é real!  Talvez no sul da Itália encontremos pessoas mais “calorosas”, com festas regionais. Mas aqui no norte, onde vivo, não é assim. E devo confessar que foi uma grande desilusão para mim que esperava que a Itália fosse exatamente como via nos filmes.

O clima também não ajuda. Até mesmo quem prefere temperaturas mais frias (não é o meu caso), sofre com o inverno prolongado, que dura em média 6 meses.

Foto by Cleber Pra

Fevereiro de 2012 – Que frio! 12 graus negativos

 

Ficar longe de parentes e amigos, participar de casamentos e aniversários à distância, ver os sobrinhos crescendo através das redes sociais também não é lá uma coisa que te deixe tão para cima.

Por isto temos que exercitar todos os dias o “ser feliz. Eu que moro aqui, você que mora aí.

A cada dia que acordo escolho olhar para o lado bom das coisas. Enquanto passeio de bicicleta escolho admirar a paisagem, olhar a arquitetura dos prédios. Escolho olhar para a qualidade de vida e de ensino que temos por aqui. Escolho enxergar o mundo colorido. Escolho ser feliz.

Motivos para ser feliz

Flor na minha varanda, cultivada por EUZINHA. Mais um motivo para ser feliz.

 

Porque para ser triste, já existem motivos demais por aí.

Baci nel cuore.
Cris Fagá

A arte de fazer sorrir

Artistas de rua existem em todos os lugares

Artistas na Place de la Concorde (Foto: Cleber Pra Photography)

Acho que foi em 2006 ou 2007 que vi pela primeira vez no Brasil um rapaz no farol da Avenida Brasil fazendo malabares. Na época, na qual a única coisa que faziam era pedir dinheiro no farol, achei o máximo a atitude dele e eu, que nunca dei uma moeda a um pedinte, embora já tenha distribuído brinquedos e roupas nos faróis, lhe dei um real.

Infelizmente, a prática no Brasil não deu muito certo. Existe uma máfia de pedintes e se você não se adequar ao padrão estabelecido está fora do mercado. Até 2011, quando saí do país, não vi muitos.

Aqui em Mantova não tem nenhum – com exceção do cara que toca violão em frente a Igreja Redondade São Lorenzo, na Praça Erbe.

Já em Milão e Roma vi alguns. A maioria ainda sem muito glamour – não que precise de glamour para isto. Basta talento. De todos os lugares da Itália que passei, Verona é o que mais me atrai neste sentido. Vemos um a cada cem metros – ao menos nos finais de semana. E é uma beleza para os olhos.

Um casal de amigos que mora por lá, às vezes conversa com alguns deles e me conta tantas histórias interessantes.

Devo admitir que nunca vi tantos artistas de rua como em Paris. (Ah Paris! Que saudades!) Talvez por ser uma cidade de artistas, uma cidade em que a arte é realmente valorizada. Para dizer a verdade, não acredito que a maioria deles tenha ficado rico com a sua arte, mas a Cidade Luz é um lugar na qual ser artista é um privilégio. Ainda que a pessoa não fique rica, ela consegue viver da arte. E nada mais maravilhoso no mundo do que trabalhar naquilo que gosta, naquilo que nasceu para fazer.

A praça  Place du Tertre, ao lado da Sacré Coeurvive repleta de artistas locais fazendo pinturas, retratos e caricaturas! Misturado a tudo isto tem um colorido particular, um burburinho de turistas, um cheiro de vida. É um lugar encantador!

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Em Paris, é praticamente impossível descer em uma estação de metrô sem dar de cara com algum músico, banda ou mímico.

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Eles estão por toda parte e encantam – de uma maneira mágica – o visual dacidade.

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Antes de sairmos de casa, o Cleber estabeleceu como tema principal da viagem os Artistas de Rua. Saímos de casa com o firme propósito de fotografar todos que encontrássemos e foi exatamente o que fizemos. Reservamos uma verba exatamente para isto. Parávamos, apreciávamos o talento, fotografávamos – ou melhor, ele fotografava – ofertávamos uma moeda e seguíamos rumo a outro ponto turístico na certeza de que encontraríamos mais alguns artistas pelo caminho.

E eles estavam por toda parte, em todos os lugares, até mesmo dentro dos vagões dos trens e metrôs.

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Mas um caso me chamou particular atenção. Um italiano entrou no vagão em que tocando sua tuba, sorrindo, cantando e dançando. Logo um rapaz sacou seu trompete e se juntou a ele e juntos fizeram a festa no trem. Em pouco tempo o vagão todo sorria e cantava junto com o italiano e o estudante em uma alegria simplesmente contagiante. Antes de sair ele passou por nós pedindo sua oferta.

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Descemos na mesma estação. Mas como éramos turistas, nos dirigimos ao lado errado. Nos demos conta do erro quando estávamos quase na saída, que não era a nossa, e retornamos. Ao nos direcionar desta vez para a saída correta encontramos o italiano em uma das escadas, fumando um cigarro – Sim! Em Paris eles ainda fumam nas estações de metrô – e com uma expressão que eu não sei precisar se era tristeza ou preocupação.

E meu coração ganhou uma proporção jamais sentida naquela viagem. E foi então que me dei conta que o que para mim era uma alegria, para eles era um trabalho. Quantos deles não passaram por nós preocupados com o aluguel para pagar, com o leite do filho, com as contas que venceram?

Mas eles, artistas maravilhosos que são, nos transmitem somente alegrias e a ilusão de que o mundo é perfeito.

E foi então que eu entendi porque são chamados de artistas:

Porque possuem a arte de nos fazer sorrir, mesmo quando sua única vontade é a de chorar.

Baci nel cuore
Cris Fagá

FOTOS: Cleber Pra Photography – todos os direitos reservados

 

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Cristiane Fagá. Mãe de três. Apaixonada pelo Cleber. Brasileira, morando em Mantova, Itália. Trocando bilhetes, cartas, e-mails, mensagens e whatsapp com a Glê desde a década de 90. Minha vida, no Eu, por mim mesma. E em outros blogs.

Cleber Pra. Pai do Renzo. Mora em Matova, Itália. Em um caso de amor com a Cris e com a fotografia. Minhas fotos na página Cleber Pra Photography.

Blog é diário pessoal

Hoje, a TPM bateu forte, a faxina no quarto me intimou e eu fiquei muito mais tranquila com minha consciência ao decidir que não subiria o post pensando para o dia por motivos “de não dá tempo de revisar”.

Para acalmar a TPM, uma fatia generosa de bolo bem-casado, da Doce de Laura (Laura, me patrocina!) foi suficiente. O quarto, ficou satisfeito com um paninho nos móveis, uma vassoura e uma pá. E a angústia de viver, que volta e meia me visita nestes dias em os hormônios mandam na casa chamada corpo feminino, foi apaziguada com muita leitura antes, durante e depois do trabalho – vou mentir por quê?

Daí que no finalzinho do dia, lendo o bate-papo com os Blogueiros do Século Passado, uma fala do Gabriel Von Doscht deixou meu coração TÃO feliz:

8. Quem vocês lêem hoje? Do que vocês mais gostam? Do que não gostam?

Gabriel: Pouquíssima coisa. Eu leio blogs por causa do trabalho, mas não porque gosto deles. Não existe nenhum blog que eu goste como antigamente. Queria alguém que mantivesse um diário da sua vida. Hoje em dia parece que cada blog é obrigado a ter um tema, uma categoria. Ninguém mais fala da vida pessoal, nem que seja mentindo. Se eu quiser saber de moda, tem uma lista de blogs de moda. Se eu quiser saber de memes, tem outros 500 blogs… Parece que não existe mais aquela surpresa gostosa de visitar o blog de uma pessoa que você só conhece por foto, e ela tá falando sobre ter deixado, sem querer, cair um figo dentro do queijo ralado no buffet, e a pessoa que tava atrás na fila achou que era uma prática interessante e resolveu copiar.

( clica AQUI Ó para ler a entrevista na íntegra )

Muitas vezes sinto vontade de acessar o WordPress, clicar em Adicionar Novo Post e escrever como se não houvesse amanhã. Sem tema pré-definido. Apenas escrever, como fazia/faço no Princesa Gleide e como fazia nos blogs anteriores a ele. Porém-contudo-todavia, pensando que o foco-ainda-não-definido-deste-blog-é-ter-um-foco, acabo desistindo. Ufa! Mas, que delícia ler o que o Gabriel falou! 🙂

É. Em algum post perdido na blogsfera eu já escrevi isso: que o blog, lá no princípio, era/é diário pessoal e que não fazia sentido fugir disso.  Gosto de compartilhar o que me inspira na internet. De falar sobre uma música ou um livro ou uma iniciativa/mobilização bacana. É um exercício da escrita necessário para mim. Mas, haverá os dias em que eu só quero chorar sobre a TPM e dizer que Tendas da Lua* deveriam ser obrigatórias em nossa civilização, para proporcionar às mulheres, que desejarem, recolhimento neste momento delicado. E no qual podemos matar alguém, bom lembrar.

Entonces, para brindar este momento, vamos incluir e estrear uma nova categoria no blog que é… hum… qual nome dou para esta categoria?

( vou pensar em um nome )

( atualização >> Categoria >> Diário Pessoal )

Ah! E dia 31 de agosto é o Blog Day. Desde 2006 blogando e eu não sabia. Mas, quer saber? Está tudo certo! Ano que vem a gente abre uma Veuve Clicquot e celebra! 😉

Beijos!

 

Agosto, organização: setembro!

Eis que setembro invade nossas vidas. Dois mil e quatorze com sua agenda abarrotada de grandes eventos no país, veio com a promessa de ser um ano que passaria voando e, pelo menos para mim, vem cumprindo sua promessa. Bem ou mal, os dias passam céleres e precisamos aprender a lidar com esta rapidez. Organização parece ser a palavra chave de tudo.

Organização tem sido fundamental para eu dar conta dos projetos paralelos (este blog e o Diário da Glê) retomados, do trabalho na CASA7 e dos jobs que – eba!!! – estão se avolumando e das aulas na pós (amando!). Incluir novamente os dois blogs na minha rotina deram uma bagunçada no coreto. Agora, a casa volta a rotina necessária para funcionar de forma harmônica.

Um cartão

Neste fim de semana, por exemplo, passei a usar um calendário editorial e deixei esta semana programada para os dois blogs. Sim, eu não fazia isto. E ficava consultando mil anotações na noite anterior para pensar no que escrever no dia seguinte. Sou grata a Luh Testoni, do Primeira à Esquerda, pelas dicas preciosas que ela dá na categoria Blogando do seu blog. E se fotografia também é uma paixão, recomendo mais ainda a visita ao blog.

Curiosamente, participar do #desafioprimeira, projeto do Primeira, contribui um bocado para criar a sensação de rotina, de compromisso a ser cumprido todos os dias – os horários das fotos variavam, é verdade, mas todos os dias eu postava minha fotinho no Instagram.

Contudo, o que mais me deixou empolgada foi o exercício da criatividade. Usei duas ou três fotos tiradas há algum tempo – o desafio permite -, no mais, eu quebrava deliciosamente a cabeça para a foto-tema do dia. Ou a musa Inspiração logo fazia brotar a ideia em minha cabeça, ao ler o tema. 🙂

Desafio Primeira - agosto

Por conta disso, resolvi seguir mais um mês. Há outros desafios/missões rolando no Facebook e no Instagram que muito me interessam. Estou preparando uma postagem sobre.

Em meu perfil, no Facebook, todas as fotos do desafio em agosto. Clica aqui.

E sobre setembro: pode vir! Estou aberta e receptiva a tudo de melhor que você possa oferecer. E que a oferta seja farta! 😉

Setembro

Construção

Esta postagem tem trilha sonora ♥

Conversei um bocado ontem com um amigo querido que, espero, venha contribuir com este espaço aqui. \e/

Foi um bate-papo no qual, entre outras coisas, falamos sobre escrever e sobre as pausas que cada um fez em seus projetos.
 
Eu comentei em minha última postagem que tenho encontrado dificuldade em retomar a escrita, assim, em blog, de forma periódica. Pela organização que isto exige de mim, pelos temas a apresentar – estou ainda em exploração – e pela dificuldade em reencontrar minha identidade no texto.
 
Para mim, funciona da seguinte forma: quando ficamos muito tempo sem escrever a mão e somos solicitados a fazer isto, achamos difícil segurar a caneta e fazê-la deslizar no papel. A letra que aparece é um garrancho do que já foi um dia uma letra bem desenhada e legível. Ainda assim, é sua letra. Mas não com o acabamento o qual você estava acostumada.  Você segue exercitando, escreve, escreve, escreve e reconhece uma letra a voltando a forma; um d do jeito que você gostava  ver escrito; percebe que aquele g está adquirindo um traçado ainda mais bonito. Até que um dia, sua letra está lá, não apenas como você conhecia e sim em uma forma melhorada.
 
Parece bobo, né? Porém, é exatamente como vejo o exercício de ordenar as ideias em frases, orações, períodos simples e compostos. Estou redescobrindo o jeito-gleide-de-escrever.
 
E, desta feita ( sempre quis escrever isso ), auxiliada por alguns queridos iluminados.
 
Construção
Termino com algo que disse para outra amiga: “estou com a sensação de que estou construindo algo”. E penso que é uma construção coletiva.
 

Assim seja. 🙂

Uma pequena comparação

Quando aceitei o desafio de escrever no Blog da Glê, travei comigo mesma o compromisso de não fazer comparação entre os dois países. Impossível.

Tem muita coisa daqui que funcionaria aí. E muitas coisas daí que seriam bem-vindas aqui.

Dizem que o estudo na Itália é um dos piores da Europa, mas ainda assim está bem à frente do oferecido na rede pública no Brasil. Aqui, eles ensinam até música nas escolas.

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Minha filha tocando violino na orquestra da escola pública que frequenta.

Não vemos cães abandonados. Nem gatos. E não porque não sejam abandonados, mas as pessoas que o fazem tem ao menos a decadência de abandoná-los em canis, que, por sua vez, adotam trabalho voluntário para que outras pessoas levem os internos caninos para passear. Quem quer adotar um animal recebe uma ajuda do governo e passa antes por uma série de etapas até abrigar o animalzinho em casa que já chega vacinado, castrado e com chip de localização.

Quando cheguei aqui, em 2011, não via cocô de cachorro nas ruas. Todo mundo saía com um saquinho para pegar os dejetos do seu animal. Na época era uma prática que estava ainda engatinhando no Brasil. Acho que o povo italiano tem retrocedido nesta parte. As ruas estão cheias de “minas” por aí, enquanto por aí está se tornando uma atitude rotineira.

O custo de vida por aqui também é menor, assim como a inflação. Mas não temos esta coisa de aumento salarial a cada seis meses. Aliás, leis trabalhistas não funcionam por aqui. Aqui o trabalhador tem o direito a trabalhar. Nada de vale-transporte, vale-refeição, nem nada do tipo. Quanto aos demais benefícios – o que são mesmo?

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Se você pretende vir para a Itália esqueça a lei do consumidor. Muitas vezes a gente não é nem bem atendido. E se achar ruim, levante e se retire, pois está atrapalhando a fila. Lojas, supermercados e todo o tipo de comércio têm hora para fechar. E não pense que por você estar lá dentro tem o direito de fazer tuas compras em paz. Ledo engano! No horário de fechamento você já tem que estar no caixa, senão, pode se retirar.

Mas em contra-partida, posso andar de bicicleta que ninguém vai me assaltar, posso esquecer o celular na mesa do McDonald’s que se alguém o encontrar levará até o caixa (já vi realmente acontecer), posso andar com os vidros do carro abertos e posso sacar dinheiro à meia-noite no caixa eletrônico.

Os italianos fumam muito. E os jovens começam a fumar mais cedo que no Brasil. Por outro lado, existe uma menor competição de quem tem “mais dinheiro”, “melhor celular” e coisas do tipo.

Corrupção existe, sim! Infelizmente. Mas os governantes italianos ainda não são tão declaradamente corruptos. Eles ainda tentam disfarçar. Até quando, não se sabe.

Os impostos são altíssimos, quase tanto quanto aí. Mas recebemos em troca o direito de usufruir dos serviços básicos. Educação, saúde e segurança funcionam de verdade. Crianças com menos de 14 anos e idosos com mais de 60 não pagam consultas médicas, exames e nem pela maioria dos medicamentos, que são entregues em qualquer farmácia mediante a entrega de um formulário preenchido pelo médico.

Os “rótulos” por aqui também são menos importantes. Vejo gerente de banco namorando com faxineira, advogada com pedreiro.

Ah! E o europeu aproveita melhor o verão. Talvez porque dure pouco tempo. E eu aprendi com eles a fazer churrasco no lago, piquenique no parque, andar de bicicleta, andar de mãos dadas.

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Aproveitando o verão europeu com um churrasco no lago, antes que o sol desapareça.

O que eu aprendi é que nenhum dos dois países é perfeito. Os dois possuem coisas boas e coisas ruins. Isso não quer dizer que um seja melhor do que o outro. Eu só acho que, para mim e minha família, os contra de se viver aqui são muito mais aceitáveis, no momento, do que os de viver no Brasil.

Mas isto também pode mudar um dia. Ou não?

Baci nel cuore

Cris Fagá


Cristiane Fagá. Mãe de três. Apaixonada pelo Cleber. Brasileira, morando em Mantova, Itália. Trocando bilhetes, cartas, e-mails, mensagens e whatsapp com a Glê desde a década de 90. Minha vida, no Eu, por mim mesma. E em outros blogs.